segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

As Doze Princesas

Este é o conto de fadas que inspirou a animação “Barbie e as 12 princesas bailarinas”. Como sempre, a história não dá muitas explicações. Editei o texto mais encontrado na internet, mas não alterei a estrutura.

Era uma vez um rei que tinha doze filhas.
Todas eram muito lindas e muito amigas. A mãe delas morreu quando a última princesinha nasceu, e desde então, elas passavam o dia entre as prendas do lar e os deveres reais.  As doze princesas dormiam no mesmo quarto, em doze camas com dossel. Misteriosamente, pela manhã, seus sapatos invariavelmente apareciam com as solas muito gastas, como se tivessem caminhado ou dançado a noite toda, mas no resto do castelo, nada se ouvia.
Por isso, quando se recolhiam, eram trancadas a chave por fora. Ninguém conseguia descobrir como isso acontecia. Então, o rei anunciou por todo o reino que se alguém pudesse descobrir aquele segredo – onde as princesas dançavam a noite – poderia se casar com uma delas e seria o herdeiro do trono.
Mas, quem tentasse e não conseguisse, ao fim de três dias e três noites morreria.
Logo o filho de um rei se apresentou. Foi muito bem recebido, e à noite, levaram-no para o quarto ao lado dos aposentos das doze princesas. Ele tinha que ficar em vigília, e além disso, deixou a porta do quarto entreaberta. Mas tudo que havia era silêncio e em pouco tempo, o príncipe adormeceu.
Quando acordou de manhã, viu que as princesas tinham dançado de noite, porque as solas dos doze pares de sapatos estavam cheias de buracos. O mesmo aconteceu nas noites seguintes, e por isso o rei ordenou que a ordem fosse cumprida, e que o príncipe tivesse a cabeça cortada. Depois dele vieram vários outros; nenhum teve melhor sorte, e todos perderam a vida da mesma maneira.
Ora, um ex-soldado, que tinha sido ferido em combate e já não mais podia guerrear, chegou ao país. Um dia, ao atravessar uma floresta, encontrou uma velha, que lhe perguntou aonde ia.
— Quero descobrir onde é que as princesas dançam, e assim, mais tarde, vir a ser rei.
— Bem, disse a velha, - isso não custa muito. Basta que tenhas cuidado e não bebas do vinho que uma das princesas te trouxer à noite. Logo que ela se afastar, deves fingir estar dormindo profundamente. E, dando-lhe uma capa, acrescentou:
— Logo que puseres esta capa tornar-te-ás invisível e poderás seguir as princesas para onde quer que elas forem.

Quando o soldado ouviu estes conselhos, foi ter com o rei, que ordenou lhe fossem dados ricos trajes; e, quando veio a noite, conduziram-no até o quarto de fora. Quando ia deitar-se, a mais velha das princesas trouxe-lhe uma taça de vinho, mas o soldado
entornou-a toda sem ela o perceber. Depois estendeu-se na cama, e daí a pouco pôs-se a ressonar como se estivesse dormindo. As doze princesas puseram-se a rir, levantaram-se, abriram as malas, e, vestindo-se esplendidamente, começaram a saltitar de contentes, como se já se preparassem para dançar. A mais nova de todas,
porém, subitamente preocupada, disse:
— Não me sinto bem. Tenho certeza de que nos vai suceder alguma desgraça.
— Tola!, replicou a mais velha. Já não te lembras de quantos filhos de rei nos têm vindo espiar sem resultado? E, quanto ao soldado, tive o cuidado de lhe dar a bebida que o fará dormir.

Quando todas estavam prontas, foram espiar o soldado, que continuava a ressonar e estava imóvel. Então julgaram-se seguras; e a mais velha foi até a sua cama e bateu palmas: a cama enfiou-se logo pelo chão abaixo, abrindo-se ali um alçapão. O soldado viu-as descer pelo alçapão, uma atrás das outra.  Levantou-se, pôs a capa que a velha lhe tinha dado, e seguiu-as. No meio da escada, inadvertidamente, pisou a cauda do vestido da princesa mais nova, que gritou às irmãs:
— Alguém me puxou pelo vestido!
—Que tola! - disse a mais velha. Foi um prego da parede.



Lá foram todas descendo e, quando chegaram ao fim, encontraram-se num bosque de lindas árvores. As folhas eram todas de prata e tinham um brilho maravilhoso. O soldado quis levar uma lembrança dali, e partiu um raminho de uma das árvores.

Foram ter depois a outro bosque, onde as folhas das árvores eram de ouro; e depois a um terceiro, onde as folhas eram de diamantes. E o soldado partiu um raminho em cada um dos bosques.

Chegaram finalmente a um grande lago; à margem estavam encostados doze barcos pequeninos, dentro dos quais doze príncipes muito belos pareciam à espera das princesas. Cada uma das princesas entrou em um barco, e o soldado saltou para onde ia a mais moça. Quando iam atravessando o lago, o príncipe que remava o barco da princesa mais nova disse:
—Não sei por que é, mas apesar de estar remando com quanta força tenho, parece-me que vamos mais devagar do que de costume. O barco parece estar hoje muito pesado.
—Deve ser do calor do tempo, disse a jovem princesa.

Do outro lado do lago ficava um grande castelo, de onde vinha um som de clarins e trompas. Desembarcaram todos e entraram no castelo, e cada príncipe dançou com a sua princesa; o soldado invisível dançou entre eles, também; e quando punham uma taça de vinho junto a qualquer das princesas, o soldado bebia-a toda, de
modo que a princesa, quando a levava à boca, achava-a vazia. A mais moça assustava-se muito, porém a mais velha fazia-a calar.

Dançaram até as três horas da madrugada, e então já os seus sapatos estavam gastos e tiveram que parar. Os príncipes levaram-nas outra vez para o outro lado do lago - mas desta vez o soldado veio no barco da princesa mais velha - e na margem oposta despediram-se, prometendo voltar na noite seguinte. Quando chegaram ao pé da escada, o soldado adiantou-se às princesas e subiu primeiro, indo logo deitar-se. As princesas, subindo devagar, porque estavam muito cansadas, ouviam-no sempre ressonando, e disseram:
—Está tudo bem.
Depois despiram-se, guardaram outra vez os seus ricos trajes, tiraram os sapatos e deitaram-se.

De manhã o soldado não disse nada do que tinha visto, mas desejando tornar a ver a estranha aventura, foi ainda com as princesas nas duas noites seguintes. Na terceira noite, porém, o soldado levou consigo uma das taças de ouro como prova de onde tinha estado. Chegada a ocasião de revelar o segredo, foi levado à presença do rei com os três ramos e a taça de ouro. As doze princesas puseram-se a escutar atrás da porta para ouvir o que ele diria.
Quando o rei lhe perguntou:
—Onde é que as minhas doze filhas gastam seus sapatos de noite?
Ele respondeu:
—Dançando com doze príncipes num castelo debaixo da terra. Depois contou ao rei tudo o que tinha sucedido, e mostrou-lhe os três ramos e a taça de ouro que trouxera consigo. O rei chamou as princesas e perguntou-lhes se era verdade o que o soldado tinha dito. Vendo que seu segredo havia sido descoberto, elas confessaram tudo.


O rei perguntou ao soldado com qual delas ele gostaria de casar.
—Já não sou muito novo, respondeu, - por isso quero a mais velha. Casaram-se nesse mesmo dia e o soldado tornou-se herdeiro do trono. Quanto às outras princesas e seus bailes no castelo encantado... pelos buracos nas solas dos sapatos, elas continuam dançando até hoje...

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