sábado, 22 de fevereiro de 2014

Era uma vez...

um breve relato sobre a minha paixão por contos de fadas

Acredito que todas as histórias se entrelaçam...  que o chamado mundo do “era uma vez” é só mais um entre tantas interfaces que podemos acessar de vez em quando... e que quanto mais sabemos sobre essas histórias, mais encantadoras se tornam.
Já na primeira infância, eu voava em vassouras, habitava castelos mágicos, percorria florestas e ouvia a música das fadas... O patinho feio, A galinha Ruiva, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, João e o pé de Feijão, o Pequeno Polegar... bastavam aquelas três palavras mágicas...
Depois veio a coleção Disquinho, colorida, mágica. Curiosamente, as minhas primeiras histórias não eram, digamos, femininas...  Festa no Céu, O príncipe Sapo, o Flautista de Hamelin... música para meus ouvidos infantis...
Foi quando elas chegaram prá me fazer companhia... passei a ouvir, ao invés de ler, Cinderela, a Bela e a Fera, Branca de Neve, minha querida Bela Adormecida... virtudes, pecados, ensinamentos, vilania, heroísmo, genialidade, esperteza... magia! alter egos que me falavam de fadas madrinhas, beleza além dos olhos, confiança, sonhos, e que vieram prá ficar...
Então veio a coleção “Sítio do Pica pau Amarelo”, que li aos nove anos... e reli, e reli e reli três vezes até meu próximo aniversário... não sem antes mergulhar na mitologia grega, com seus heróis e deuses olimpianos... Percy Jackson pode ser interessante, mas ele que me desculpe: beber direto da fonte é incomparável...
Quando ganhei “Peter Pan”, numa edição luxuosa, capa dura, ilustrações aquareladas e traduzida do original de James Matthew Barrie... achei cansativo, para uma leitora iniciante, mas detectei que havia algo mais naquela história cheia de conflitos adolescentes implícitos na decisão de não crescer...
E descobri Andersen. As aventuras da Polegarzinha, a legitimidade da Princesa e a Ervilha, até chegar à ternura da Pequena Vendedora de Fósforos. E chorei com a história de uma sereia sem final feliz. E li outra vez, e reli, e reli, na esperança de que as palavras fossem outras dessa próxima vez. Mas não eram. Nem sempre as coisas são como gostaríamos que fossem. Nem sempre o bem vence no fim. Nem sempre as princesas vivem felizes prá sempre. Nem sempre.
Abandonei, por hora, as narrativas fantásticas e abracei outras histórias, menos lúdicas, mas não menos encantadoras. Só voltaria aos contos de fadas com a  maternidade. Durante a gravidez, ficava pinçando histórias que contaria para ele, ou para ela, e descobri que elas, as histórias, estavam ali dentro, guardadas a sete chaves, preservadas em seus encantos, e agora, revestidas de outros significados...

E elas estarão aqui, em versões originais, traduzidas, roteirizadas, infantis, adultas. E a cada reconto, uma magnífica oportunidade de parar um pouco nessa vida louca vida para de novo entrar no mundo do Era uma vez...

Nenhum comentário:

Postar um comentário